Ministra da Cultura anuncia projeto para combater «fake news»
Sistema de verificação de factos será desenvolvido pela Lusa em parceria com outras entidades

Ministra da Cultura, Graça Fonseca, na abertura da conferência sobre combate às notícias falsas, Lisboa, 21 fevereiro 2019 (foto: Tiago Petinga/Lusa)
Ministra da Cultura, Graça Fonseca, na abertura da conferência sobre combate às notícias falsas, Lisboa, 21 fevereiro 2019 (foto: Tiago Petinga/Lusa)
A Ministra da Cultura, Graça Fonseca, afirmou que a agência de notícias Lusa vai desenvolver, em parceria com outras entidades, um sistema de verificação de factos para combater a desinformação proporcionada pelas «fake news» (notícias falsas).
Durante uma conferência em Lisboa, organizada pela Lusa em parceria com a agência espanhola EFE, Graça Fonseca disse que desafiou a agência portuguesa a lançar o debate sobre o tema na sociedade portuguesa, dada a importância que o mesmo tem para o futuro e para a qualidade das democracias ocidentais.
A Ministra – que tutela a comunicação social - destacou também a necessidade de uma comunicação social forte juntamente com uma aposta cada vez maior na literacia mediática.
Graça Fonseca disse que «hoje em dia, a tecnologia permite-nos ter sistemas bastante sofisticados de fact-cheking» (verificação de factos), como é o caso da inteligência artificial e a sua capacidade de, através de um algoritmo, «determinar as notícias» que são lidas pelo utilizador.
A Ministra referiu também alguns estudos de agências noticiosas, segundo os quais cerca de dois terços das pessoas acedem a notícias através de plataformas agregadoras de conteúdos e apenas 32% conhece a origem da informação. Relativamente ao algoritmo, que conhece o que o leitor potencialmente gostaria de ler, Graça Fonseca afirmou que se trata de uma mudança radical «na forma como a comunicação social se organiza e como consumimos conteúdos e temos acesso a notícias».
Para a Ministra, o primeiro passo para se mudar este panorama da desinformação é ter consciência do que se está a passar, parar, questionar e pensar sobre os conteúdos a que se tem acesso.
«É muito importante que a comunicação regulada - que opera de acordo com um código deontológico conhecido - seja uma arma forte, capaz de se transformar, de se adaptar e de responder a esta concorrência muito difícil», referiu ainda.
