Portugal está entre os países líderes que «defendem uma economia azul competitiva e sustentável»
Ministra do Mar destacou importância de uma «governação do mar inteligente» e seu impacto na economia

Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, no encontro dos Oceanos, Lisboa, 16 maio 2019
Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, no encontro dos Oceanos, Lisboa, 16 maio 2019
A Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, esteve presente na cerimónia de abertura do European Maritime Day, que decorreu em Lisboa, no mesmo dia em que tem inicio o Grande Encontro dos Oceanos, na mesma cidade, dedicado ao tema «Governação Inteligente dos Oceanos».
Durante a sua intervenção, Ana Paula Vitorino referiu que «a governação inteligente do oceano é um foco estratégico que se encontra alinhado com a Agenda 2030 da ONU: agir para promover a prosperidade, protegendo o planeta».
Para a Ministra, «a erradicação da pobreza tem de estar de mãos dadas com o combate às alterações climáticas e à proteção ambiental» e que «o Oceano é a principal arma de combate aos efeitos nefastos das alterações climáticas».
«Uma governação do mar inteligente e responsável implica a mobilização da ciência e a inovação para que a sustentabilidade se manifeste» nas dimensões ambiental, social e económica, disse ainda.
Ações de Portugal
Para Ana Paula Vitorino, «Portugal tem-se posicionado no grupo líder de países que defendem uma economia azul competitiva e sustentável, apostando na investigação, na inovação e no empreendedorismo azul».
A Ministra referiu que somos membros fundadores do grupo de 14 países designado «Painel de Alto Nível para uma Economia Sustentável do Oceano», atualmente co-presidido pela Noruega e pelo Palau.
Relembrando que Portugal é um dos poucos países no mundo com uma área governativa exclusivamente dedicada ao Mar» Ana Paula Vitorino destacou as reformas estruturais da atual legislatura que, «de forma pioneira a nível global», tem estabelecido as bases para uma governação e exploração sustentável do mar, no quadro do combate às alterações climáticas.
é o caso do «Plano de Situação de Ordenamento do Espaço Marítimo», o «Plano de Áreas Marinhas Protegidas» e a promoção de «uma economia de baixo carbono no desenvolvimento do seu mar».
Energia azul e aquacultura
No plano enérgitico, Ana Paula Vitorino referiu que o mar português tem potencial «para fornecer 25% da eletricidade consumida em Portugal, o equivalente a uma central de carvão».
«Estamos a dar o primeiro grande passo com a Estratégia Industrial das Energias Renováveis Oceânicas, promovendo a adoção da eólica offshore flutuante e a energia das ondas» disse ainda, acrescentando que «em breve teremos o maior parque eólico flutuante do mundo, em Viana do Castelo», com capacidade para «fornecer energia azul limpa a 60000 casas, gerando 1500 novos empregos».
No caso da aquacultura, Ana Paula Vitorino disse que tem havido uma promoção do seu aumento e que a mesma constitui uma via capaz de assegurar uma produção alimentar com «menor intensidade carbónica» quando «comparada com a produção convencional de proteína animal».
«Também aumentamos a competitividade criando um revolucionário licenciamento da atividade» da aquacultura, «tornando-a mais eficiente, mais célere e, simultaneamente, aumentando as exigências de sustentabilidade ambiental» disse ainda.
Descarbonização do transporte marítimo e criação do Fundo Azul
Uma das prioridades apontadas pela Ministra para a preservação dos oceanos é a «descarbonização do transporte marítimo» através da promoção do Green Shipping e do «Gás Natural Liquefeito como energia de transição de baixo carbono nos navios». A exploração de «combustíveis alternativos e tecnologia com emissões zero, como o motor elétrico, o hidrogénio e a amónia», é outra das medidas que poderá contribuir para a descarbonização.
Também a criação do Fundo Azul, enquanto «instrumento público potenciado por parcerias com entidades privadas» constitui, para Ana Paula Vitorino, um importante contributo para «uma economia azul competitiva e sustentável».
Economia Azul
Sobre o impacto destas medidas na economia, Ana Paula Vitorino afirmou que a oportunidade de Portugal para crescer «é substancial e real» e referiu o Observatório da Economia Azul do Ministério do Mar que concluiu que «entre 2015 e 2018» «as exportações do setor mar cresceram 25%, com mais de 2 mil milhões de euros gerados».
«No mesmo período, o valor acrescentado bruto das empresas do setor mar cresceu 30%, passando a representar mais de 4% do volume nacional. Além disso, o desempenho económico foi notável, apresentando elevadas taxa de crescimento e de produtividade da economia azul, registando 14% e 17%, respetivamente», explicou ainda a Ministra.
Ana Paula Vitorino referiu também que «para que este desempenho económico seja sustentável, é necessário um adequado ecossistema de inovação» com «espaços físicos e instrumentos de política pública que acelerem o desenvolvimento das novas cadeias de valor do mar».
Sobre o crescimento da Economia Circular Azul, a Ministra referiu que a mesma deve assentar «numa abordagem integrada, interdisciplinar e intersectorial» e que isso exige «cooperação, coordenação e coerência política em vários níveis de forma a trazer soluções de longo prazo».
«Só através da cooperação entre países, empresas, universidades, ONGs e organizações multilaterais conseguiremos estabelecer redes de partilha de conhecimento que impulsionem a inovação e novos negócios sustentáveis», disse ainda.
