Ministro do Ambiente e Alteração Climática na sessão de encerramento do 10ª edição do Prémio Manuel António da Mota: cerimónia de entrega de prémios
«MATEMÁTICA. Não sei se a vida e os sistemas se podem todos reduzir a algoritmos. Temo que essa redução nos conduza a uma visão demasiado determinística das coisas, que nos afasta do racional da metafísica, isto é, da verdadeira dimensão do entendimento dos fenómenos sociais.
Mas sei que na vida quase tudo pode ser traduzido por funções com variáveis múltiplas e graus de liberdade vários, que, se por vezes conduzem a soluções indeterminadas, as mais das outras, tendem para um limite.
Do conceito de limite e da sua aplicação à economia e à sociedade vos quererei falar hoje. Amartya Sen, Nobel da Economia em 1998, descreveu de forma eloquente o conceito de prosperidade, supondo três formas: a opulência, a utilidade e a oportunidade de realização. A opulência reporta-se às necessidades materiais. A utilidade acrescenta-lhe os conceitos de qualidade e felicidade, porque opulência não é satisfação. E a oportunidade de realização, baseada na livre escolha que as nossas sociedades concedem (incluindo a de não participar no sistema), concorre para a construção de percursos pessoais que contribuem para o coletivo social.
Mas seja qual for a forma de prosperidade que nos desafie, temos todos de perceber que ela tem sempre um limite. Há os evidentes, do dia a dia – limites financeiros, de disponibilidade física, de compromissos
–, e os menos evidentes – mas absolutamente reais e tangíveis –, que são o limite da escassez de materiais, o limite da degradação dos ecossistemas, o limite da concentração de carbono na atmosfera».
Leia a intervenção na íntegra
