Os elementos das forças e serviços de segurança que
escrevam comentários de natureza racista, xenófoba ou qualquer outro tipo de
discriminação nas redes sociais vão passar a ser mais fiscalizados e
sancionados.
A medida consta no plano de prevenção de manifestações de
discriminação nas forças e serviços de segurança (FSS) da Inspeção-Geral da
Administração Interna (IGAI) e que foi alvo da primeira reflexão juntamente com
os dirigentes máximos da PSP, GNR e Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.
A Inspetora-Geral da Administração Interna, Anabela
Cabral Ferreira, explicou que o plano de prevenção de manifestações de
discriminação nas forças e serviços de segurança inclui medidas que incidem «na
necessidade de reforçar a temática dos direitos humanos na formação inicial»,
bem como melhorar a formação contínua. E sublinhou que as práticas
discriminatórias por parte dos polícias «são residuais».
Para o Ministro da Administração Interna, Eduardo
Cabrita, não se pode fingir que as «práticas discriminatórias» não existam.
Eduardo Cabrita disse também que que este plano «não acaba aqui», sendo antes o
começo que «integra um mandato de todas as Forças de Segurança e o mandato da
Inspetora-Geral da Administração Interna (IGAI) dentro da sua função de
estabelecer aquilo que são regras para a formação» dos elementos das forças e
serviços de segurança e para a intervenção em situações de «incumprimento».
Anabela Cabral Ferreira explicou também aos jornalistas
que este plano tem medidas programáticas, relacionadas com o recrutamento e
formação dos elementos das forças de segurança e normas de execução imediata,
que é o caso dos comentários dos elementos da PSP, GNR e SEF nas redes sociais.
«As redes sociais são hoje a praça pública. Tudo aquilo
que se passa nas redes sociais é conhecido da comunidade. Não podemos aceitar
que um polícia que jurou defender o Estado de direito e que representa a
autoridade do Estado, que quando veste a farda promova a defesa desses valores,
designadamente o princípio da igualdade, e quando dispa a farda possa tecer
comentários de natureza racista, xenófoba ou outra qualquer forma
discriminatória nas redes sociais», disse ainda.
Anabela Cabral Ferreira pediu ainda aos responsáveis da
PSP, GNR e SEF para que emitam normas internas no sentido de promoverem que
esses comportamentos não existam.