Despesas de combate à pandemia e redução da atividade económica agravam défice orçamental
Execução orçamental até novembro teve défice de 8691 milhões de euros, um agravamento de 9267 milhões face ao mesmo período de 2019

Uso de máscara de proteção devido à pandemia de Covid-19 (foto: João Bica)
Uso de máscara de proteção devido à pandemia de Covid-19 (foto: João Bica)
Até novembro, a execução orçamental das Administrações Públicas apresentou um défice de 8691 milhões de euros, o que representa um agravamento de 9267 milhões face ao mesmo período de 2019, e se justifica pelos impactos da Covid-19.
A degradação do saldo, em consequência da pandemia, resulta do efeito combinado de redução da receita (-6,3%) e acréscimo da despesa (+5,3%), quer pelos impactos adversos na economia que se refletem na redução acentuada da receita fiscal e contributiva, quer pelo acréscimo na despesa associado às medidas extraordinárias direcionadas ao apoio às famílias e às empresas.
Redução da receita
A quebra de receita foi de 1 574 milhões, refletindo principalmente os impactos da suspensão dos pagamentos por conta (-791 milhões) e da perda de receita contributiva pela isenção de pagamento de TSU no âmbito do regime de lay-off simplificado, apoio à retoma progressiva e incentivo financeiro à normalização da atividade empresarial estimada em cerca 518 milhões.
A estes efeitos acresce o diferimento da receita do IVA liquidado em novembro e que será pago através de planos prestacionais e as medidas de isenção ou redução da taxa contributiva (-265 milhões).
O crescimento da despesa em 2 663 milhões, sobretudo associado às medidas de lay-off (+880 milhões), incluindo o complemento de estabilização, aquisição de equipamentos na saúde (+491 milhões), apoios à redução da atividade económica e retoma progressiva (+385 milhões) e no âmbito do incentivo extraordinário à normalização (+248 milhões).
A receita fiscal recuou 7,4%, com a generalidade dos impostos a evidenciar quebras que refletem a contração da atividade económica, destacando-se a redução de 9,4% no IVA.
As contribuições para a Segurança Social reduziram-se em 1,1% na sequência do abrandamento da atividade económica e dos meses mais intensos do lay-off simplificado.
Aumento da despesa
A despesa primária cresceu 6,6%, significativamente influenciada pelo forte crescimento da despesa da Segurança Social em 3017 milhões, dos quais 1781 milhões associados à Covid-19 representando 92 % do orçamentado em sede de orçamento suplementar o que permite antecipar a sua plena execução.
Destacam-se os acréscimos na despesa com pensões (3,3%) e outras prestações sociais excluindo medidas específicas Covid-19 (11,1%) com particular destaque para as Prestações de Desemprego (26,1 %), Subsídio por Doença (17,6%) e Prestação Social para a Inclusão dirigida a pessoas com deficiência (19,7%).
A despesa com salários dos funcionários públicos cresceu 3,7% refletindo o descongelamento das carreiras, destacando-se o forte aumento de 5,6% da despesa com salários dos professores.
Serviço Nacional de Saúde
Em resposta à pandemia, a despesa do Serviço Nacional de Saúde aumentou de forma muito expressiva a um ritmo de 6%, destacando-se o forte crescimento extraordinário do investimento (+96,1%) que atinge os 242 milhões representando um aumento de 55,2% face à execução integral de 2019 (156 milhões) e das despesas com pessoal (5,9%) devido também ao acréscimo do número de profissionais de saúde do SNS de 5,9% até novembro (+7893 trabalhadores).
O investimento público cresceu 36,8% na Administração Central e Segurança Social, excluindo parceiras público-privadas, refletindo a forte dinâmica de crescimento associada à Ferrovia 2020, outros investimentos estruturantes e aquisição de material médico para o combate à Covid-19 destinado aos hospitais.
Os pagamentos em atraso reduziram-se em 358 milhões no SNS.
