«É necessário apoiar a pequena agricultura e promover a renovação geracional»

Continuidade aos apoios e ao rejuvenescimento do tecido social são algumas das medidas referidas pela Ministra da Agricultura

Ministra da Agricultura,  Maria do Céu Antunes, no Conselho de Presidentes da CAP, Tomar, 25 novembro 2019

Ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, no Conselho de Presidentes da CAP, Tomar, 25 novembro 2019

A Ministra da Agricultura, Maria do Céu Albuquerque, afirmou que é preciso, em conjunto, «fazer da nossa Agricultura parte da resposta» aos desafios atuais e torná-la num «dos motores de desenvolvimento sustentável» nas dimensões ambiental, económica e social.

Durante um encontro do Conselho de Presidentes da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) e a representar os 44 anos desta organização, em Tomar, a Ministra referiu que «a nossa Agricultura deu já importantes passos na digitalização, colocando a inovação ao serviço das pessoas, dos produtores e dos consumidores, aumentando o seu alcance, levando-a aos mercados globais, aproximando-a de quem, do outro lado, quer mais transparência».
 
«A agricultura é um dos setores da economia que está mais exposto aos riscos associados às alterações climáticas e à degradação do capital natural, como seja a erosão e a perda de produtividade do solo ou a escassez e falta de qualidade da água. É então fundamental que, cada vez mais, a exploração agrícola seja desenhada para a regeneração do ecossistema que lhe está subjacente», acrescentou.

Promover atratividade para o setor

Para Maria do Céu Albuquerque é essencial «a presença de uma agricultura tradicional, mais próxima da natureza» que atraia pessoas, jovens e investimento e que assegure a vitalidade das zonas rurais, «em íntima ligação com outras atividades, desde o turismo ao artesanato». Esta atratividade passa por «apoiar a pequena agricultura e promover a renovação geracional e, para isso, a presença de uma rede de agentes económicos no meio rural é fundamental». 

«Há que dar continuidade aos apoios e ao rejuvenescimento do tecido social, nomeadamente das zonas rurais, e à promoção e reforço das estratégias e parcerias locais; sim, valorizar a atividade agrícola e o espaço rural é valorizar o território e o desenvolvimento nacional», disse ainda.

A Ministra afirmou que é necessário também garantir mais e melhores respostas «da nossa Administração Pública, dirigidas aos agricultores e às necessidades que motivam a procura de serviços públicos. Não esquecemos a relevância de simplificar procedimentos que, garantindo o acesso a ferramentas e apoios fundamentais, implicam, por vezes, burocracia que podemos, e devemos extinguir se queremos incentivar o empreendedorismo».

O «apoio ao regadio eficiente, como fator de promoção da competitividade e da previsibilidade da atividade económica, a medidas para simplificar a vida dos agricultores, proteger a produtividade dos solos, facilitar o acesso à terra, promover a estruturação fundiária nos territórios de minifúndio, assegurar a viabilidade da agricultura familiar, estimular o empreendedorismo e a organização da produção, dinamizar novas formas de comercialização e de distribuição de proximidade - sem esquecer a busca de novos mercados - são algumas das medidas referidas pela Ministra.

Reforçar a Política Agrícola Comum

Antes de finalizar, Maria do Céu Albuquerque disse que é importante reforçar a aposta da negociação da Política Agrícola Comum (PAC) pós-2020 e que tudo será feito para alcançar um acordo político que «seja benéfico para todos os agricultores europeus e para o desenvolvimento equilibrado e sustentável da União Europeia». 

«Não poderemos esquecer que Portugal tem um histórico de utilização dos fundos da PAC com uma forte componente de medidas de apoio a sistemas agrícolas de importante valor ambiental e climático», concluiu. 

Áreas: Agricultura