Portugal deve alterar critérios de criação de serviços no Interior

Territórios do Interior vão sair sempre a perder enquanto os critérios não forem alterados, disse a Ministra da Coesão Territorial

Ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, no lançamento da primeira pedra dos Passadiços do Mondego, Guarda, 27 novembro 2019

Ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, no lançamento da primeira pedra dos Passadiços do Mondego, Guarda, 27 novembro 2019

A Ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, afirmou que Portugal deve promover a alteração dos «tradicionais critérios que levam à criação de tribunais, que levam à ampliação de centros de saúde e escolas» porque «não há desenvolvimento do Interior enquanto forem estes os critérios a presidir às decisões políticas.

Na Guarda, na sessão comemorativa do Dia da Cidade, a Ministra sublinhou que enquanto estes critérios não forem mudados, «os territórios do Interior vão sair sempre a perder».

Ana Abrunhosa referiu que a alteração dos critérios «é a primeira grande mudança que tem de ser feita», sob pena de Portugal se tornar um país abandonado, levantando depois futuros problemas como a resposta aos incêndios.

A Ministra declarou que se o critério da população continuar a presidir à escolha do local dos serviços, «estes territórios estão sempre condenados e, portanto, vão estar sempre a perder população». «Nunca vamos conseguir contrariar este círculo vicioso», acrescentou.

De acordo com Ana Abrunhosa, que estudou na Guarda, grande parte da transformação e da revitalização destes territórios terá de ter como âncora cidades como a Guarda. «Depois, também não podemos esquecer os territórios rurais, para os quais temos de ter projetos concretos», disse.

Medidas transversais como a redução das portagens nas autoestradas e dos impostos para as famílias e para as empresas são importantes, mas Ana Abrunhosa frisou ainda que o Interior é muito diverso e exige um olhar atento às suas especificidades.

Foi também por isso que há agora uma área de governação para a Coesão Territorial, «para garantir que o Interior está próximo, que o Interior tem uma voz, que o Interior será ouvido».

Depois da sessão comemorativa do Dia da Cidade, a Ministra esteve presente no lançamento da primeira pedra dos Passadiços do Mondego, numa cerimónia que também contou com a presença do Presidente da Câmara Municipal da Guarda, Carlos Chaves Monteiro. A obra representa um investimento de três milhões de euros.