Portugueses mostraram «extraordinária capacidade» e autodisciplina em gerir o risco
Empresas nacionais vão fabricar máscaras para proteção comunitária, oferecendo aos cidadãos uma medida de proteção em grande escala
O Ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, sublinhou a «extraordinária capacidade» manifestada pelos portugueses em «gerir o risco», assim como a sua autodisciplina, no âmbito das restrições impostas pela pandemia de Covid-19 para a proteção de toda a comunidade.
O Ministro fez esta declaração no final de um conjunto de audições, por videoconferência, com entidades nacionais e personalidades da área da economia convocada pelo Primeiro-Ministro António Costa, para o debater o impacto da pandemia e as vias para o relançamento da economia portuguesa.
«Daqui a algumas semanas quando começarmos a equacionar o levantamento destas restrições, a mesma autodisciplina e a mesma capacidade de gerir o risco deve ser encarada na mesma forma em que vamos retomar a nossa atividade», em termos de proteção individual e nos espaços públicos, acrescentou.
Pedro Siza Vieira também destacou a capacidade criada por empresas nacionais para fabricar, em grande quantidade, máscaras para proteção comunitária, que poderão ser distribuídas pelos circuitos de comercialização, «oferecendo aos cidadãos uma medida de proteção em grande escala».
Construir a confiança coletiva
O Primeiro-Ministro e outros membros do Governo escutaram «economistas que deram as suas perspetivas sobre os desafios da retoma da economia portuguesa, com reflexões e sugestões sobre os temas que terão de ser equacionados».
«De maneira geral há uma partilha da ideia de que temos de ir construindo uma confiança coletiva na capacidade que temos de proteger as populações e os seus elementos mais frágeis à medida que nos formos preparando para o levantamento das restrições à atividade económica e à circulação dos cidadãos, e que isso é uma componente muito importante da nossa estratégia de transição», disse.
Pedro Siza Vieira disse que Portugal tem «agora de começar a pensar como vai, de forma coordenada com os parceiros europeus, criar a confiança de que estão reunidas as condições para o retorno gradual, progressivo à atividade».
Retoma da Economia com salvaguarda da saúde
O Ministro disse ser ainda desconhecida «a verdadeira redução da atividade económica» causada pela pandemia. «Temos resultados de que cerca de 82% das empresas estão a manter a sua atividade, sabemos que neste momento 66 mil empresas colocaram trabalhadores em lay-off, o que representa menos de um quarto da população ativa, e ainda não há um crescimento significativo do desemprego», disse, acrescentando que haverá, porém, um «impacto no PIB no final do ano».
«O que é importante é que depois deste trimestre, onde há maiores medidas de restrição, seja o ponto mais fundo, digamos assim, desta quebra e que a partir daí possamos, com cuidado e com confiança, voltar a retomar a nossa atividade, sempre salvaguardando a saúde das populações», afirmou.
O Ministro também referiu que «esta crise projeta uma imagem externa muito positiva de Portugal como um destino seguro, onde existe uma enorme coesão social. "Isso são também vantagens no reposicionamento da nossa economia no futuro».
Após a reunião com representantes do Banco de Portugal, do Conselho de Finanças Públicas, e do Instituto Nacional de Estatística, e também de instituições universitárias como o ISEG e a Católica e, com cerca de duas dezenas de economistas, o Primeiro-Ministro e outros membros do Governo reúnem-se com os parceiros sociais para ouvirem as suas opiniões sobre estas matérias, no dia 15.
