União Europeia deve reforçar autonomia estratégica sem derivar para o protecionismo
António Costa destacou também a necessidade de acelerar a transição energética para responder ao aumento dos preços dos combustíveis

Primeiro-Ministro António Costa no debate preparatório do Conselho Europeu na Assembleia da República, Lisboa, 20 outubro 2021 (Foto: Tiago Petinga/Lusa)
Primeiro-Ministro António Costa no debate preparatório do Conselho Europeu na Assembleia da República, Lisboa, 20 outubro 2021 (Foto: Tiago Petinga/Lusa)
O Primeiro-Ministro António Costa salientou que a União Europeia deve ter o reforço da autonomia estratégica como uma das prioridades sem que isso represente uma deriva para o isolamento ou para o protecionismo.
Na Assembleia da República, no debate preparatório do Conselho Europeu, o Primeiro-Ministro sublinhou que «a pandemia deixou evidentes as fragilidades da União Europeia na produção de bens essenciais» e reiterou que é preciso «reforçar a capacidade de relocalizar na Europa muito do que já se produziu no passado».
«Não podemos estar sujeitos a cadeias de valor tão longas onde o risco de disrupção se multiplica. É preciso apostar na capacidade de reindustrialização da Europa e na capacidade de produzir bens para o funcionamento da economia atual e da economia do futuro», acrescentou, dizendo que «Portugal está bem colocado para desempenhar um papel importante».
António Costa afirmou que o grande potencial da União Europeia é económico e «deve afirmar-se através da política comercial». Neste sentido, destacou o reforço do relacionamento transatlântico, não só com os Estados Unidos e o Canadá, mas também com o México, o Chile e a Mercosur.
«Por outro lado é necessário aproveitar o impulso que a presidência portuguesa do Conselho da União Europeia deu para diversificar a nossa posição na região do indo-pacífico. A reabertura das negociações do acordo de comércio e de investimento com a Índia é uma oportunidade que não pode ser desperdiçada. A conclusão do acordo comercial com a Nova Zelândia não deve ser adiada. As renegociações do acordo comercial com a Austrália não devem ser contaminadas por conflitos bilaterais», disse.
Acelerar transição energética para responder a aumento dos preços
O Primeiro-Ministro salientou que o aumento exponencial do preço da energia será o segundo tema central da reunião do Conselho Europeu e referiu que o estudo da Comissão Europeia demonstra que «não é o esforço da transição climática que está a contribuir para o aumento do preço dos combustíveis».
«Para responder ao aumento dos preços, é fundamental acelerar a transição energética para poder ter energia limpa, segura e capaz de assegurar melhores condições para o consumidor», afirmou.
«Um bom exemplo de que é esta a estratégia correta é ver que se compararmos o que está a acontecer nos combustíveis fósseis com o preço da eletricidade a praticar no próximo ano, tendo em conta o esforço de investimento que Portugal fez nas últimas décadas para poder ter hoje 60% da eletricidade que consome a vir de fonte renovável», disse.
O Primeiro-Ministro reiterou também que o preço da eletricidade para as famílias vai baixar 3,4% e o custo de acesso às redes a pagar pelas indústrias irá baixar 94%. «Demonstra bem que quem investiu a tempo está hoje a colher os frutos desta baixa de preço», afirmou.
António Costa salientou ainda a necessidade de aumentar as interligações no mercado europeu para haver um verdadeiro mercado europeu integrado e interligado, aumentar as interconexões com outros países terceiros que podem ser fonte de origem limpa, como Marrocos, ter a capacidade de diversificar fontes energéticas, apostando mais no hidrogénio verde, aumentar as portas de entrada para o gás natural, que é uma energia de transição, sem estar dependente da Rússia, Turquia e Argélia».
«Portugal já é a porta da entrada de um terço do gás natural liquefeito vindo dos EUA. Devemos e podemos aumentar esta quota», afirmou.
António Costa destacou que Portugal e a União Europeia devem «manter a coerência na resposta à emergência climática sem desconsiderar as medidas necessárias a adotar de modo transitório para responder a esta crise dos combustíveis».
