Intervenção da Ministra da Defesa Nacional na Sessão Plenária da XXI Reunião dos Ministros da Defesa da CPLP

«Neste fórum privilegiado de cooperação numa dimensão estratégica como a da Segurança e Defesa, que tem já mais de 15 anos, não posso deixar de iniciar esta minha intervenção com um apelo à solidariedade da nossa Comunidade num contexto de segurança mundial completamente diferente daquele que vivíamos em junho de 2021.

O que acontece neste momento na Europa em virtude da invasão ilegal e não provocada da Ucrânia pela Rússia, e apesar de longe das fronteiras de muitos Estados-Membros, acarreta sérias consequências, diretas e indiretas, não só para a nossa Comunidade e para cada um dos nossos países, como para todo o mundo.

Entre outros aspetos, refiro-me à severa crise humanitária em curso e, em particular, à questão da segurança alimentar, já de si fragilizada com os efeitos da pandemia nos últimos 2 anos. O conflito no Leste da Europa, decorrente de uma manifesta violação da ordem jurídica internacional baseada em regras por parte da Rússia, está já a gerar um forte impacto na capacidade de fornecimento de matérias-primas e bens essenciais em todo o mundo devido ao bloqueio russo dos canais de exportação de cereais ucranianos. Estas disrupções afetarão inclusive alguns dos países que integram a nossa Comunidade, o que se repercutirá, por sua vez, no aumento generalizado dos preços e do custo de vida.

O relatório apresentado pela Organização para a Alimentação e Agricultura no início de maio continua a apontar a proliferação de conflitos como a principal causa da crescente insegurança alimentar a nível mundial. Em 2021, ainda antes do eclodir da guerra na Ucrânia, pelo menos 193 milhões de pessoas já se encontravam em cenários de crise com carências alimentares agudas. É previsível que esta situação se agrave substancialmente em 2022, e em particular no continente africano».

Leia a intervenção na íntegra.