Ministro da Educação sugere à OCDE estudo sobre quebra de desempenho dos alunos
Relatório PISA revela quebra sem precedentes no desempenho a Matemática e Leitura nos alunos de 15 anos

A recuperação de aprendizagens é hoje um fator decisivo para garantir o sucesso de todos os alunos
A recuperação de aprendizagens é hoje um fator decisivo para garantir o sucesso de todos os alunos
Relatório PISA revela quebra sem precedentes no desempenho a Matemática e Leitura nos alunos de 15 anos
O ministro da Educação, João Costa, apelou à Organização para a
Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) que analise de forma aprofundada
as causas que levaram a que os jovens alunos apresentem uma quebra "sem precedentes"
no desempenho em Matemática e Leitura.
Os resultados do maior estudo internacional feito aos
conhecimentos dos alunos, PISA (Programme for International Student Assessment)
– realizado em 2022 por mais de 690 mil estudantes de todo o mundo – revelam um
agravamento das dificuldades que os jovens de 15 anos sentem para realizar
tarefas básicas a Matemática e Leitura.
Portugal acompanha esta tendência: os quase sete mil estudantes de
escolas portuguesas que realizaram, em 2022, a prova de Matemática do PISA
tiveram menos 20 pontos do que os colegas que a tinham realizado em 2018.
"Quando temos quebras nos resultados devemos ficar preocupados e
devemos analisar com profundidade os resultados", disse o ministro da Educação,
João Costa, sublinhando que a "quebra de resultados acontece em países com
políticas curriculares bastante diferenciadas".
O relatório hoje divulgado reconhece que ainda não é possível
identificar as razões para esta tendência mundial, não estando identificado um
fator preciso ou uma determinada política educativa.
"Temos países muito diferentes, na forma como se ensina, nos
currículos que desenvolvem, com esta tendência semelhante" de quebra de
resultados, disse João Costa. "Há uma descida que tem a ver com a pandemia, mas
a pandemia não explica tudo, porque há uma queda na média da OCDE, desde 2012,
que não foi ainda suficientemente explicada", disse.
Principais tendências
- em 2022 a média a matemática dos países da OCDE decresceu cerca de
15 pontos face ao ciclo anterior;
- os resultados nacionais colocam Portugal na média da OCDE em todas
as áreas de avaliação, pelo que o nosso país acompanha, sem diferenças
estatisticamente significativas, a trajetória descendente da OCDE;
- no caso da Matemática, Portugal regista um decréscimo de 21 pontos
em 2022 face a 2018, e de 16 pontos relativamente a 2012, último ano em que
este foi o domínio principal de análise;
- observa-se ainda que 70,3% dos alunos portugueses alcançaram pelo
menos o nível 2 a matemática, um valor superior ao registado na OCDE (68,9%);
- a diferença de resultados entre raparigas e rapazes tem-se mantido
relativamente constante em Portugal, com os rapazes a pontuar em média mais 10
pontos que as raparigas;
- em Portugal, a diferença de desempenho a Matemática entre alunos
de escolas públicas e privadas não é estatisticamente significativa;
- os alunos imigrantes, que passaram de cerca de 7% para 11% entre
2018 e 2022, obtêm resultados inferiores aos registados pelos alunos
portugueses, sobretudo quando se trata de alunos de primeira geração de
migrantes;
- os alunos portugueses reportaram um maior sentido de pertença à
escola do que a média dos alunos da OCDE;
- em Portugal, os alunos consideram receber mais apoio familiar do que a média dos países da OCDE;
- os diretores das escolas portuguesas reportaram que as escolas
estão mais bem preparadas para o ensino a distância pós-pandemia, contrariamente
à média dos países da OCDE.
