Ministro dos Negócios Estrangeiros na Cimeira da União Africana: «Portugal é um construtor de pontes com África»
João Gomes Cravinho está em Adis Abeba para reuniões bilaterais com homólogos e dirigentes da União Africana antes da Assembleia Geral

Ministro dos Negócios Estrangeiros, José Gomes Cravinho, participa em reuniões bilaterais com homólogos e dirigentes da União Africana, Adis Abeba, Etiópia, 15 fevereiro 2023
Ministro dos Negócios Estrangeiros, José Gomes Cravinho, participa em reuniões bilaterais com homólogos e dirigentes da União Africana, Adis Abeba, Etiópia, 15 fevereiro 2023
O Ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, afirmou, na cimeira da União Africana, que Portugal quer assumir um papel de charneira para «ajudar a União Europeia a perceber o que está a mudar no continente africano».
O Ministro falava à Agência Lusa em Adis Abeba, na Etiópia, onde iniciou uma série de reuniões bilaterais, nos dias que antecedem a cimeira de chefes de Estado e de Governo, em 18 e 19 de fevereiro, a qual contará com a presença do Primeiro-Ministro português, António Costa.
O chefe da diplomacia portuguesa disse ainda que o país está muito empenhado «em sublinhar dentro do espaço europeu esse interesse direto da União Europeia e, ao mesmo tempo, também interessados em identificar os necessários ajustamentos», incluindo em termos políticos na União Europeia, por forma a apoiar o continente africano.
O apoio de Portugal à União Europeia, refere João Gomes Cravinho, pode também passar por replicar alguns modelos de cooperação na área da segurança, como é o caso das missões de treino com bastante sucesso no norte de Moçambique.
Desses casos, prossegue o Ministro, é preciso «saber extrair as devidas lições» e Portugal está «bastante bem posicionado» para desempenhar esse papel, até porque já «tem uma certa tradição de participação em cimeiras da União Africana», mas nunca ao nível de um chefe de Governo o que representa «um reconhecimento por parte da União Africana daquilo que Portugal é: uma ponte entre a África e a Europa».
Arquitetura de segurança
O ministro João Gomes Cravinho - que esteve esta quarta-feira reunido com Bankole Adeoye, comissário da UA para a Paz e Segurança - disse ainda que a «arquitetura de segurança» africana «está fragilizada» e que este comissário lhe transmitiu um pedido de «apoio de países como Portugal e de instituições como a União Europeia» para a paz e estabilidade no continente, em linha com o princípio de «soluções africanas para problemas africanos».
Neste sentido, explica o MNE português, a UA está a considerar revisitar a Convenção de 1977 contra atividades de mercenários no continente africano, de modo a prevenir a presença, entre outros, do Grupo Wagner, uma organização próxima do Kremlin que tem estado a operar nalguns países africanos. Caso essa medida venha a ser aprovada, será aberto o caminho «para que, em países como a República Centro-Africana ou o Mali, houvesse uma nova abordagem em relação à Paz».
Sobre o conflito do leste da República Democrática do Congo, «onde há vários países africanos envolvidos», Gomes Cravinho afirmou que as partes se devem sentar «à mesa das negociações para encontrar soluções pacíficas para os problemas que opõem esses países, mas são também de natureza interna».
