«O que aconteceu na ferrovia pode acontecer na aviação»

Ministro das Infraestruturas e da Habitação apela ao consenso entre os setores público e privado

Ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, nos AED Days 2022, Oeiras, 24 maio 2022

Ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, nos AED Days 2022, Oeiras, 24 maio 2022

«Temos um cluster que se tem mostrado muito dinâmico, com um conjunto de investimentos, que são ingredientes suficientes para que Portugal possa ter um setor em crescimento», disse o Ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, nos AED Days 2022, o principal evento nacional dos setores da Aeronáutica, Espaço e Defesa, que teve lugar em Oeiras.

«O que aconteceu na ferrovia pode acontecer na aviação. Para isso, é preciso que o público e o privado não se olhem como adversários, mas como cooperantes», referiu.

Novo aeroporto de Lisboa vem colmatar falta de capacidade aeroportuária

Pedro Nuno Santos destacou a importância de existir um consenso em torno da nova localização do aeroporto de Lisboa, independentemente da mudança do Governo e dos governantes, para que não se verifique um recuo. «É uma dificuldade em conseguir consensualizar decisões tão estruturantes para o País como é o aeroporto. Andamos há cinco décadas a estudar e a tentar decidir onde irá ser o novo aeroporto», lembrou.

A falta de capacidade aeroportuária tem dificultado o crescimento do País, e a situação manteve-se nos últimos anos. «Se conseguirmos aumentar a capacidade aeroportuária, teremos mais movimentos, mais atividade de aviação, e isso terá consequências em toda a indústria nacional», disse.

TAP é um dos maiores exportadores nacionais

No que se refere à TAP, o Ministro esclareceu que «não é um tema polémico» e que a intervenção feita na companhia foi justificada pela sua importância para o País. 

«A principal razão para a nossa intervenção não foi só assegurar a conectividade do País com o mundo. O que a TAP significa é muito mais do que a conectividade», disse.

A TAP é um dos maiores exportadores nacionais, o que constitui uma riqueza «da qual o país não podia prescindir». A isto somam-se ainda 1300 milhões de euros anuais em compras da transportadora aérea a mil empresas nacionais. «Foi uma decisão que gerou polémica e foi alvo de grande debate, mas para nós é clara», reiterou.


Governo investe na ferrovia

Pedro Nuno Santos afirmou que, durante décadas, o País deixou de investir na ferrovia, «com linhas encerradas e as empresas numa situação difícil».
  
Para aumentar a oferta de material circulante, e tendo em conta que a encomenda de comboios «demora muito tempo», a opção passou pela recuperação dos comboios existentes no parque de material abandonado. «Toda a recuperação teve mais de 90% de incorporação nacional», indicou.

O Governo lançou ainda um concurso para 117 comboios, sendo que todos os concorrentes já manifestaram a intenção de ter uma fábrica em Portugal. «Temos carruagens ainda a circular em Nova Iorque [que foram feitas em Portugal]. Estamos a criar condições para que essas competências voltem a existir», concluiu.