Primeiro-Ministro destaca importância do transporte público no combate às alterações climáticas

António Costa afirmou que «as alterações climáticas colocam Portugal na zona de risco em todas as suas dimensões»

«Esta linha de 3,5 km é um pequeno passo para a humanidade, mas é um enorme passo para o contributo que podemos dar, à escala da cidade de Coimbra, para combater as alterações climáticas», disse o Primeiro-Ministro António Costa na consignação das obras da Linha do Hospital Aeminium-Hospital Pediátrico do Sistema de Mobilidade do Mondego, em Coimbra.

O Sistema de Mobilidade do Mondego consiste na instalação de um metrobus com tração a baterias elétricas no antigo ramal ferroviário da Lousã e na área urbana de Coimbra. Com uma extensão total de 42 km, fará a ligação de Serpins, Lousã e Miranda do Corvo a Coimbra, da cidade à estação ferroviária de Coimbra B e através do eixo central da cidade, entre a beira rio e a zona dos hospitais.

O Primeiro-Ministro referiu que «o sistema de mobilidade do Mondego foi estudado, encontrou-se uma solução e estamos numa das últimas paragens para que, em 2024, o sistema esteja totalmente concluído e em funcionamento».

A «solução deste sistema de mobilidade permite assegurar o acesso direto aos hospitais da Universidade de Coimbra a toda a população» abrangida, e «melhorar a mobilidade na cidade, ligando a baixa e a alta, como não está ligada há muitos anos», o que «tem um potencial de transformação da qualidade de vida na cidade, que o município saberá valorizar», disse.

Controlar alterações climáticas

António Costa afirmou que a mobilidade é, juntamente com as energias renováveis e a eficiência energética, uma das variáveis fundamentais para controlar as alterações climáticas. 

«70% dos gases com efeitos de estufa que emitimos, vêm da mobilidade. Temos de fazer a grande mudança de usar cada vez menos transporte com base no combustível fóssil e de usar cada vez mais transporte com base noutro tipo de energia; cada vez menos o transporte individual e cada vez mais o coletivo», disse.

As cidades «levaram 50 anos a acomodar o automóvel, mas agora têm menos tempo para aprender a viver sem o automóvel, porque ou andamos de automóvel ou vivemos», disse.

«O que temos a fazer é encostar o automóvel e encontrar outros sistemas, para que a humanidade e as outras espécies possam sobreviver e o planeta, que é o único, seja habitável. É uma responsabilidade que temos para com as gerações vindouras», sublinhou.

Economia circular

«Investindo simultaneamente nas energias renováveis, na eficiência energética e na mobilidade sustentável podemos combater as alterações climáticas», disse. 

Mas «não chega: temos de olhar para os resíduos, não como desperdício, mas como matéria-prima na economia circular, para a água, bem finito, em que temos de explorar tudo o pudermos para enfrentar o novo paradigma de seca severa regular» porque «o clima mudou».

O Primeiro-Ministro apontou a necessidade de «explorar as oportunidades de dessalinização – temos um projeto piloto no Algarve, no âmbito do PRR, e ontem o Ministro do Ambiente e da Ação Climática anunciou outro projeto de dessalinização no litoral alentejano». 

Apontou também a necessidade de «trabalhar na reutilização das águas residuais – ontem, o Conselho de Ministros aprovou um pacote de Simplex ambiental que inclui a simplificação do processo de licenciamento das águas residuais, preservando a saúde pública e a qualidade ambiental». 

E apontou ainda a necessidade de «explorar as soluções de redes separadas, aproveitando mais facilmente a água pluvial, exigindo maior tratamento das águas residuais».

António Costa afirmou que «temos esta luta contra o tempo, especialmente em Portugal, porque as alterações climáticas colocam Portugal na zona de risco em todas as suas dimensões: erosão costeira por subida das águas do mar; risco de incêndio florestal; risco de seca severa – em todos Portugal é afetado».