2026-06-08 0947

10 de junho: “queremos um Estado cada vez mais próximo dos portugueses no estrangeiro, independentemente da distância”

O 10 de Junho é “uma celebração muito simbólica, mas também com um significado muito real, muito palpável”, em que afirmamos “a preservação da nossa cultura, a valorização da nossa língua e a afirmação dos nossos valores e dos nossos princípios enquanto nação”, disse o Primeiro-Ministro Luís Montenegro na abertura das comemorações do Dia de Portugal, no Luxemburgo.

Luís Montenegro, que participou nesta comemoração ao lado do Presidente da República, António José Seguro, acrescentou que “é o dia em que homenageamos Luís Vaz de Camões, cuja obra imortal se tornou um símbolo da nossa identidade enquanto povo” e é “o dia em que celebramos todos aqueles que saíram da sua terra natal, mas continuam a ser Portugal, continuam a levar e a expressar Portugal em tudo aquilo que fazem”.

O Primeiro-Ministro destacou ainda a profunda ligação entre Portugal e o Luxemburgo, onde este ano ocorreu a comemoração junto das comunidades portuguesas, referindo que permite “homenagear a história que une os nossos dois países e os nossos povos”, que se conhecem há muito, bem como “fazer um justo reconhecimento ao trabalho da nossa Comunidade, ao seu percurso até agora, mas também à confiança e esperança no “percurso que ainda vamos fazer daqui para a frente”.

A comunidade portuguesa no Luxemburgo, que conta quase 90 mil pessoas e representa mais de 13% da população do Grão-Ducado, é exemplar, respeitada, “profundamente integrada na sociedade luxemburguesa”, elogiando “a sua capacidade de adaptação”, mas que, simultaneamente, “não perde os seus laços a Portugal”, disse.

Afirmando que “esta Comunidade é, de alguma maneira, o melhor embaixador de Portugal que podemos ter”, pois “em cada um de voz há um embaixador de Portugal aqui no Luxemburgo” e “em cada um de vós também pode haver um embaixador do Luxemburgo em Portugal”, acrescentou que “esta dupla vivência” é “uma mais-valia para os nossos dois países”.

Reconhecimento do mérito

O Primeiro-Ministro referiu também o reconhecimento “nos mais variados níveis e áreas de atividade” que Portugal tem devido ao trabalho dos seus emigrantes, lembrando a recente eleição, “de forma inédita, à primeira volta, para membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, vencendo uma corrida onde o respetivo lugar estava também a ser ambicionado pela Alemanha e pela Áustria”.

Portugal tem “este nível de respeitabilidade e reconhecimento muito graças ao vosso trabalho” e à “forma como quase 900 anos depois da nossa formação, enquanto nação, continuamos a ser um país e um povo com relações de proximidade com todas as geografias”.

Luís Montenegro disse que “o primeiro elemento desta nossa capacidade tem a ver precisamente com esta forma de ser português, que é respeitar os outros, que é compreender os pensamentos com os quais nos vamos cruzando, hábitos, culturas, tradições” e “a nossa disponibilidade para podermos adaptar-nos”.

Empenho na aproximação

Afirmando que Governo, Presidência da República e Assembleia da República estão muito empenhados “em fortalecer a ligação entre Portugal e as nossas comunidades espalhadas por todo o mundo”, disse que “queremos um Estado cada vez mais próximo dos portugueses no estrangeiro, independentemente da distância”, “um Estado que responda com eficácia às suas necessidades que valorize o ensino da língua portuguesa”.

E um Estado “que promova também uma cada vez mais forte relação entre as várias gerações: entre aqueles que vieram, aqueles que aqui nasceram, aqueles que têm esse carimbo no coração, que é a ligação a Portugal”.

Luís Montenegro disse que foi “muito tocante que, nos relatos que as crianças que estão a aprender português aqui no Luxemburgo, hoje fizeram a Sua Excelência, o Senhor Presidente da República, do que é para elas ser Portugal, a palavra dominante foi a palavra família. E a palavra família a este propósito, na voz daquelas crianças, quer dizer identidade, paixão, emoção, afeto, ligação”.

Modernidade e respeito

O Primeiro-Ministro disse também que é “nossa obrigação fazer permanecer viva esta cultura e este compromisso” para todos termos “uma vida melhor”, “ser parte de um mundo com mais paz, com mais equilíbrio, com respeito pelos direitos individuais das pessoas”, fazendo de Portugal e do Luxemburgo “sociedades que tenham simultaneamente modernidade, visão de futuro, visão estratégica, mas também muito respeito por aqueles que cá estiveram antes de nós”.

Portugal é um país que junta a sua localização geoestratégica – “com um valor acrescentado dada a circunstância geopolítica Internacional” –, “um povo trabalhador”, “com vontade de levar mais longe o conhecimento, a ciência, a inovação, a criatividade”.

É ainda “um povo alinhado com os grandes desafios da atualidade, nomeadamente no contexto europeu”, que confiram “maior autonomia estratégica ao nosso país e à nossa Europa, do ponto de vista energético, do ponto de vista da sustentabilidade ambiental, do ponto de vista até da soberania alimentar, do ponto de vista daquilo que nos poderá fazer menos dependentes dos outros”.

Por isto, por “uma cultura cívica e de trabalho muito forte” Portugal tem fatores que o fazem “um país competitivo, um país com potencial de desenvolvimento, mesmo em alturas de crise e de incerteza”, disse, afirmando que Portugal “precisa de todos vós” e “nós contamos muito convosco para o nosso futuro, seja esse futuro construído aqui no Luxemburgo, seja esse futuro construído no regresso que ambicionamos muitos possam ter a Portugal, seja esse futuro construído com as famílias que partilham uma presença quer em Portugal quer no Luxemburgo”.