"Contas certas” como base de governação humanista
Ministro dos Assuntos Parlamentares destaca a mediação política, o tempo institucional e o rigor nas contas públicas para garantir confiança e políticas sustentáveis

Ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, participou no 8.º Congresso da Ordem dos Contabilistas Certificados, onde discursou sobre a crise das democracias contemporâneas. Lisboa, 24 de setembro de 2026 (MAP)
No 8.º Congresso dos Contabilistas Certificados, o Ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, sublinhou a importância da mediação política e do tempo institucional, defendendo que o rigor orçamental deve estar ao serviço de uma governação humanista.
“Vivemos com uma tecnologia do século XXI, emoções da Idade da Pedra e instituições desenhadas no Iluminismo”. Foi com esta reflexão que Carlos Abreu Amorim, enquadrou a necessidade de preservar a capacidade de mediação das instituições democráticas, num contexto marcado pela rapidez da informação e pela pressão para respostas imediatas.
Para o governante, “a mediação política é o coração da Liberdade e da Democracia”, sendo essencial garantir o tempo necessário à reflexão e à decisão institucional. Carlos Abreu Amorim sublinhou, contudo, que “defender o tempo institucional não é uma desculpa para a inércia”, defendendo que as instituições devem responder sem ficar “reféns do tempo”.
Na sua intervenção, Carlos Abreu Amorim relacionou a confiança nas instituições com a capacidade de realizar políticas públicas sustentáveis.
A propósito de medidas como a atribuição do suplemento extraordinário às pensões e o desagravamento fiscal através da redução do IRS, o Ministro afirmou que estas decisões “não surgiram para alimentar a agenda do dia nem para procurar o aplauso no calendário decrescente do fantasma das eleições”.
“São a resposta de quem compreende que a confiança nas instituições democráticas se conquista com a capacidade prática de aliviar o esforço de quem trabalha, proteger quem trabalhou uma vida e garantir previsibilidade a quem investe e produz”, acrescentou.
O Ministro defendeu ainda que as decisões tomadas no presente devem ter em consideração as gerações futuras. “O que fizermos hoje não pode hipotecar o amanhã”, afirmou, salientando a importância do rigor orçamental e da responsabilidade nas escolhas do Governo, “para além de viabilizações e acordos políticos”.
Para o responsável pela pasta dos Assuntos Parlamentares, o equilíbrio das contas públicas deve ser entendido como um instrumento para concretizar políticas públicas sustentáveis: “As contas certas não são o ponto de chegada. São a base operacional de uma governação humanista. São um instrumento ao serviço do país”, concluiu.
Carlos Abreu Amorim defendeu o regresso aos “princípios basilares da própria democracia” e considerou que “a confiança se reconquista com a entrega consistente de resultados, com tradução real na vida das pessoas”. Segundo o Ministro, esse tem sido o desígnio deste Governo e também da Ordem dos Contabilistas Certificados.”
No final da intervenção, salientou a importância de conciliar “o desenvolvimento económico sustentável, a justiça e a coesão social fraterna e a estabilidade político-institucional” que considerou “vértices inseparáveis de um mesmo desígnio nacional”. A terminar, afirmou estar “otimista” quanto ao futuro da democracia liberal portuguesa