Inaugurada a maior residência de estudantes do país

Nova infraestrutura, em Braga, disponibiliza 786 camas e resulta de um investimento de 29,5 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência

Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, na cerimónia de inauguração da Residência Universitária Confiança, Braga, 10 setembro 2026 (Hugo Delgado/Lusa)
O reforço da oferta de alojamento para estudantes do ensino superior conta com uma nova infraestrutura em Braga, a Residência Estudantil Confiança, que disponibiliza 786 camas e representa um investimento total de 31,1 milhões de euros, dos quais 29,5 milhões de euros (94,9%) são financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Instalada na antiga Fábrica Confiança, na Rua Nova de Santa Cruz, a nova residência resulta da reabilitação de um edifício que se encontrava devoluto e da construção de um novo edifício. A infraestrutura já ultrapassa os 90% de taxa de ocupação. A Confiança recebe estudantes da Universidade do Minho, da Universidade Politécnica do Cávado e do Ave e da Universidade Católica.

O Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, inaugurou a Residência Estudantil Confiança, no dia 10 de setembro, destacando a importância de reforçar a oferta de alojamento para garantir condições de frequência do ensino superior. "É praticamente unânime que esta será a principal restrição neste momento no acesso ao ensino superior. É o custo mais elevado que os estudantes têm que suportar e por isso é preciso, de facto, garantir esse alojamento", afirmou, defendendo o reforço da oferta através de residências universitárias e de outros modelos. 

Residências como espaços de integração

Fernando Alexandre destacou a importância das residências universitárias para a integração dos estudantes deslocados, sobretudo daqueles que chegam a uma nova cidade, longe da família, para iniciar uma nova etapa do seu percurso académico.

"As residências universitárias são importantíssimas e isto aplica-se a estudantes bolseiros em particular, mas aplica-se a todos os estudantes deslocados", afirmou, sublinhando que estes espaços devem ser entendidos como locais de integração e de criação de uma comunidade ligada à academia. 

Mais de 17 mil camas adicionais


O Ministro recordou que o PRR permitiu alocar cerca de 500 milhões de euros à construção de residências universitárias, dando financiamento a projetos que já estavam identificados, mas que não dispunham de uma fonte de financiamento para avançar. 

Neste mês de setembro, serão abertas 73 residências, representando mais de 9 mil camas adicionais face ao ano anterior. Outras 54 residências deverão ser concluídas até ao final de dezembro, correspondendo a cerca de 8 mil camas. 

Com a conclusão das 134 residências previstas, a capacidade de alojamento em residências universitárias deverá passar das atuais cerca de 15 mil para entre 26 mil camas. 

Reforço da ação social

O Ministro destacou também a reforma da ação social no ensino superior, que entrou em vigor este ano e que reforça o apoio ao alojamento dos estudantes bolseiros deslocados.

O novo modelo prevê um apoio de 160 euros, correspondente a 30% do Indexante dos Apoios Sociais (IAS), para os estudantes bolseiros deslocados que fiquem alojados numa residência. 

A reforma introduz igualmente maior liberdade de escolha para os estudantes, permitindo que o apoio ao alojamento seja utilizado numa residência ou noutra solução habitacional. Para Fernando Alexandre, esta alteração contribui para transformar as residências em espaços atrativos para todos os estudantes deslocados, e não apenas para os estudantes bolseiros. 

O novo Modelo de Ação Social prevê, a partir do próximo ano letivo, que os estudantes bolseiros deslocados que não consigam lugar numa residência recebam um apoio correspondente ao custo de um quarto na respetiva cidade, assegurando condições económicas para frequentar o ensino superior. 

A reforma da ação social prevê uma bolsa única, calculada em função do rendimento e da dimensão do agregado familiar e do custo de estudar na localidade onde o estudante frequenta o ensino superior. O objetivo é garantir que "ninguém fica excluído do acesso ao ensino superior por razões económicas". 

Fernando Alexandre adiantou que o investimento em ação social deverá aumentar, já este ano, de 180 para 210 milhões de euros, estando prevista uma avaliação anual do novo modelo. 

Residência Confiança como projeto-modelo

O Ministro considerou que a Residência Confiança reúne condições para se afirmar como uma residência de referência, quer pela sua dimensão, quer pela forma como será gerida e integrada na comunidade académica.

A nova residência terá o nome do professor e antigo reitor da Universidade do Minho, Sérgio Machado dos Santos, conforme anunciado pelo presidente da Câmara Municipal de Braga, João Rodrigues.

Fernando Alexandre manifestou a expectativa de que a Residência Confiança se torne "uma residência modelo", capaz de constituir uma referência para os estudantes e para outras instituições de ensino superior. 

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