2026-05-04 1921

Plano de Ação para a Conservação do Lince Ibérico marca nova fase na proteção da espécie

O “Plano de Ação para a Conservação do Lince Ibérico (Lynx pardinus) em Portugal 2026 – 2030” (PACLIP) marca uma nova fase na estratégia de proteção da espécie em Portugal, com metas de expansão e consolidação populacional.

O plano contribui para a meta ibérica de criação de oito novos núcleos populacionais até 2030, incluindo a definição de uma nova área de reintrodução em território nacional.

A Reserva Natural da Serra da Malcata, no concelho de Penamacor, distrito de Castelo Branco, foi definida como nova área de reintrodução, reforçando a expansão territorial da espécie em Portugal.

A decisão foi anunciada pela Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, na apresentação do plano, a 2 de maio, na 42.ª Ovibeja, em Beja.

O plano assenta em 10 eixos estratégicos, incluindo proteção legal e administrativa da espécie, monitorização comum, conservação, melhoria e recuperação do habitat, gestão genética comum e conectividade, reintroduções de animais ou criação em cativeiro.

Entre as medidas estão a criação de áreas cercadas para reintrodução progressiva em meio natural, o reforço da sinalização rodoviária e o recurso a tecnologias com inteligência artificial para alertar condutores sobre a proximidade de animais.

"Vai ser uma zona cercada, mas grande, porque o projeto é para que o lince esteja no meio [ambiente] e não em cativeiro", argumentou Maria da Graça Carvalho. 

Nos últimos 10 anos, registaram-se 67 mortes por atropelamento até novembro de 2025, mantendo-se esta como a principal causa de mortalidade.

Apesar do crescimento da população, é reconhecida a pressão sobre a espécie, tanto pela mortalidade em estrada como por conflitos com atividades humanas, nomeadamente ataques a galinheiros.

O projeto de recuperação e conservação do lince ibérico passou, numa primeira fase, pela reprodução em cativeiro, com os primeiros animais a serem libertados na natureza em 2011. 

Em Portugal, a coordenação do projeto cabe ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.