“Portugal encara o futuro com renovado empenho na missão das Nações Unidas”

Luís Montenegro destacou, em Nova Iorque, o combate à crise energética, a promoção da paz e o papel de Portugal no Conselho de Segurança da ONU

Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, na 81.ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), Nova Iorque, 24 setembro 2026 (Gonçalo Borges Dias/GPM)
O Primeiro-Ministro Luís Montenegro defendeu hoje, na 81.ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, respostas coletivas aos desafios internacionais, com destaque para o combate à crise energética, a promoção da paz e o reforço do multilateralismo.

A escalada dos preços dos combustíveis, provocada por conflitos internacionais, afeta países de todos os continentes e tem “impacto económico e social grave”, com “consequências indesejáveis” para todos. Neste contexto, Luís Montenegro considerou necessário atuar em duas frentes: pôr fim aos conflitos que se arrastam e encontrar formas complementares de mitigar o impacto desta crise energética e evitar o seu prolongamento: “todos temos o dever de aprender com as lições da crise dos anos 70 e evitar repetir o que então sucedeu. Seremos julgados pela forma como lidarmos com este desafio”.

O Primeiro-Ministro propôs ainda a discussão do mecanismo de formação do preço internacional do petróleo, questionando a dependência do “fator especulativo e da volatilidade dos mercados financeiros e de futuros”, cujo efeito se estende a toda a produção, mesmo quando a instabilidade tem origem apenas numa parcela ou num período restrito dessa produção.

“Esta é uma crise insensata porque é má para todos”, afirmou Luís Montenegro, defendendo uma resposta rápida para acabar com “esta espécie de masoquismo coletivo” que acarreta “prejuízo geral”.

Diálogo, diplomacia e paz

Perante as guerras e tensões geopolíticas, Luís Montenegro defendeu que devem ser exploradas “todas as oportunidades para o diálogo, para a diplomacia, para a paz”.

No Médio Oriente, o Primeiro-Ministro apelou ao fim da tragédia humanitária e à concretização de um acordo que permita a coexistência de Israel e da Palestina, “como dois Estados soberanos em paz e segurança”.

O Primeiro-Ministro apelou ainda ao fim da atuação agressiva do Irão e dos seus grupos armados associados, incluindo os ataques a países vizinhos, a navios mercantes e a infraestruturas civis, bem como ao fim do bloqueio do Estreito de Ormuz e à garantia da liberdade de navegação, incluindo no Mar Vermelho.

Na Europa, Luís Montenegro considerou necessário alcançar uma paz justa e duradoura que ponha fim à agressão da Rússia contra a Ucrânia. No Sudão, apelou ao fim da crise humanitária.

O combate às ameaças globais do terrorismo e das armas nucleares foi também apontado como uma prioridade, a par da procura de um equilíbrio entre inovação e regulação no desenvolvimento da inteligência artificial.

Portugal no Conselho de Segurança

A partir de janeiro, Portugal regressará ao Conselho de Segurança das Nações Unidas como membro não permanente, para o biénio 2027-2028, depois de ter sido eleito à primeira volta. Luís Montenegro agradeceu a “confiança depositada” e sublinhou a responsabilidade associada ao mandato, que será exercido com “uma vocação global” e “uma cultura de diálogo e de construção de pontes”, com três prioridades: prevenir, cooperar e proteger.

Na prevenção, Portugal estará empenhado em responder às crises e aos conflitos “com grave impacto humano”, porque “não há conflitos de primeira e de segunda classe. Todos nos interpelam”.

Na cooperação, a prioridade passa pelo desenvolvimento de parcerias num Conselho de Segurança “mais transparente, mais representativo e mais democrático”.

Na proteção, Portugal estará empenhado em salvaguardar a dignidade humana, através do combate à pobreza e da defesa dos direitos fundamentais, da segurança alimentar e do futuro das novas gerações.

Reforçar o papel das Nações Unidas

Luís Montenegro referiu-se à ONU como “uma obra-prima política da humanidade”, mas apontou a necessidade de a organização ser “mais ágil e mais eficaz”, com os meios adequados para cumprir os seus objetivos e para que as missões de manutenção da paz possam fazer a diferença.

Uma maior representatividade do Conselho de Segurança deverá passar, segundo o Primeiro-Ministro, por lugares permanentes para África, o Brasil e a Índia, refletindo a evolução do mundo.

A dimensão linguística foi também destacada, com Luís Montenegro a salientar que a língua portuguesa, “o idioma mais falado no hemisfério Sul”, com quase 300 milhões de falantes em todo o mundo, merece “um maior protagonismo nas Nações Unidas”.

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