Nove em cada dez docentes progrediram dois escalões desde 2018
Ministro da Educação está disponível para, «ao longo da legislatura, negociar aspetos transversais à carreira»

Ministro da Educação, João Costa, durante audição na Assembleia da República, Lisboa, 4 janeiro 2023 (Foto: Manuel de Almeida/Lusa)
Ministro da Educação, João Costa, durante audição na Assembleia da República, Lisboa, 4 janeiro 2023 (Foto: Manuel de Almeida/Lusa)
Nove em cada dez docentes progrediram dois escalões na carreira desde 2018, segundo o Ministro da Educação, João Costa, durante uma audição na Comissão de Educação e Ciência, na Assembleia da República.
«Desde 2018, já progrediram um escalão na carreira 98,5% dos professores. Destes, 90% já progrediram 2 escalões. Em 2022, são já 16% os professores que estão no topo da carreira e mais de 36% os que estão acima do 7.º escalão», detalhou.
O Ministro disse também que está disponível para, «ao longo da legislatura, negociar aspetos transversais à carreira».
Relativamente ao «sistema educativo que continua a recorrer anualmente a um número excessivo de professores contratados» que estão «a suprir necessidades», João Costa disse que é preciso «fazer entrar mais docentes para os quadros».
Além da «redução de professores contratados», João Costa reiterou a necessidade de reduzir a dimensão dos Quadros de Zona Pedagógica (QZP) para que os professores não tenham de andar «com a casa às costas», muitas vezes percorrendo «200 quilómetros diários».
Estas premissas, prossegue o Ministro, foram afirmadas nas reuniões com todas as organizações sindicais, tendo até agora sido apresentadas propostas concretas relativas a dois assuntos fundamentais: os critérios para o apuramento de necessidades permanentes, isto é, para a abertura de lugares em quadros de escola e a redução da área geográfica dos quadros de zona pedagógica.
Negociações com sindicatos
O Ministro disse ainda que quer iniciar «outros processos negociais» com os professores, recordando o atual «contexto de contestação».
«Assistimos, neste momento, a um contexto de contestação por parte dos professores. Esta é, pois, uma oportunidade de reafirmar a nossa total disponibilidade para continuar a negociar as matérias em que temos vindo a trabalhar e também para expressar a nossa vontade de encetar outros processos negociais ao longo da legislatura», afirmou João Costa.
O Ministro referiu também que «o processo negocial está a decorrer e apontámos para janeiro a continuidade das negociações»:
«Conhecemos as preocupações dos professores e, por isso, desde o início da legislatura, temos mantido um diálogo constante, transparente e franco com todas as organizações sindicais, diálogo esse que pretendemos continuar e consolidar», acrescentou.
João Costa recordou aos deputados, mas também «a cada um dos professores», as propostas do Governo, «assumindo claramente que um processo negocial assenta na apresentação de propostas, na receção de contrapropostas e na afirmação clara de que nada está fechado enquanto a negociação decorre».
«Queremos mesmo negociar com os sindicados medidas que vão para além da norma travão», disse, acrescentando que o Governo tem o objetivo de «aumentar muito o número de lugares em quadros de escola e reduzir o recurso ao quadro de zona pedagógica».
