Primeiro-Ministro anuncia escolha da Lufthansa para a privatização parcial da TAP

Decisão aprovada em Conselho de Ministros prevê a alienação de até 49,9% do capital da companhia aérea, por 1 201 milhões de euros

Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, na conferência de imprensa após Conselho de Ministros, Lisboa, 14 outubro 2026 (Gonçalo Borges Dias/GPM)

O Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, anunciou que o Governo selecionou o grupo Lufthansa para adquirir até 49,9% do capital social da TAP, concluindo a primeira fase do processo de privatização da companhia aérea.

"Com esta decisão, o Governo conclui com sucesso a primeira fase da privatização da nossa companhia aérea", afirmou Luís Montenegro, sublinhando que o processo foi conduzido com "rigor concorrencial, exigência negocial e total transparência perante os portugueses".

A escolha da Lufthansa teve por base uma proposta financeira 16% superior à da Air France-KLM e com menor grau de incerteza. A operação prevê um encaixe de 1 201 milhões de euros, mantendo o Estado uma participação maioritária de 50,1% na companhia.

"Esta é a melhor escolha para o futuro da empresa e a que melhor protege o interesse nacional", declarou o Primeiro-Ministro, destacando a valorização da TAP para 2 552 milhões de euros, que atribuiu ao trabalho de reestruturação e gestão desenvolvido nos últimos dois anos e à estratégia do Governo para o setor da aviação.

Governo pretende recuperar investimento dos contribuintes

Luís Montenegro destacou o objetivo de recuperar os mais de 3 200 milhões de euros de dinheiros públicos investidos na TAP, defendendo que a operação deve permitir reduzir a dependência da companhia face aos contribuintes.

"Desde o início, assumimos o nosso objetivo de recuperar esse valor para os portugueses", afirmou, acrescentando que o Governo foi "firme e exigente na negociação" para obter as melhores condições e contrapartidas e reduzir a exposição futura do Estado.

Uma eventual segunda fase da privatização, que poderá avançar até 2028, prevê, na proposta da Lufthansa, um encaixe adicional e uma permuta de ações que poderá tornar o Estado português o segundo maior acionista da entidade conjunta, permitindo-lhe beneficiar de dividendos futuros.

Integração na Lufthansa prevê crescimento da TAP e investimento em Portugal

O Primeiro-Ministro considera que a integração da TAP num grande grupo internacional permitirá reforçar a competitividade da companhia, aumentar a frota, os destinos e as ligações aéreas e ampliar o investimento no setor aeronáutico nacional.

Entre os investimentos previstos estão a criação de uma escola de pilotos em Tancos, de um centro de inovação em Aveiro e de um centro de serviços corporativos, a par do investimento da Lufthansa Technik em Santa Maria da Feira. O conjunto das iniciativas poderá gerar 5 500 empregos diretos e indiretos, incluindo 3 mil associados ao crescimento projetado da TAP.

A operação prevê ainda a manutenção da marca e da sede da TAP em Portugal, do hub de Lisboa e das ligações às regiões autónomas, à diáspora e aos mercados lusófonos. O reforço do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, é igualmente destacado como parte da estratégia para o setor, a par dos aeroportos de Faro e das regiões autónomas.

"A nossa ambição é dar asas à TAP para que ela voe cada vez mais e voe cada vez mais longe", afirmou, defendendo uma companhia aérea portuguesa integrada num grande grupo internacional, capaz de assegurar a sua sustentabilidade e de servir o interesse estratégico do país.

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