Modelo de cantinas sociais será substituído por distribuição de cabazes alimentares aos mais carenciados
Modelo de cantinas sociais será substituído por distribuição de cabazes alimentares aos mais carenciados

Secretária de Estado da Segurança Social, Claudia Joaquim
Secretária de Estado da Segurança Social, Claudia Joaquim
A Secretária de Estado da Segurança Social, Cláudia Joaquim, afirmou que o Governo vai substituir o modelo de cantinas sociais pela distribuição de cabazes alimentares aos mais carenciados, recorrendo ao Fundo Europeu de Auxílio às Pessoas Mais Carenciadas.
«O que pretendemos com esta medida é que haja uma transição que não seja abrupta, e que os beneficiários das cantinas sociais que não tenham condições para confecionar alimentos não fiquem desprotegidos», afirmou a Secretária de Estado, em declarações à agência Lusa.
Lembrando que a resposta cantinas sociais já existia há muitos anos, e era muito dirigida à população sem-abrigo, ou a pessoas que não pudessem confecionar os seus alimentos, Cláudia Joaquim acrescentou: «Queremos que a resposta cantinas sociais possa permanecer e, se necessário, ser reforçada face ao que existia no terreno em 2010».
«Relativamente às cantinas sociais integradas no Programa de Emergência Alimentar, e que nunca foram concebidas como uma resposta social, o objetivo é que possam ter uma descontinuidade gradual», referiu a Secretária de Estado.
Cláudia Joaquim sublinhou: «Não pretendemos que - num determinado dia do ano - deixe de haver cantinas sociais e no dia seguinte exista distribuição de alimentos, mas pretendemos que possa haver uma transição pacífica, que não deixe ninguém desprotegido».
Análise das cantinas sociais
Um estudo que Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social divulgou permitiu caracterizar os beneficiários das cantinas sociais, percebendo melhor esta resposta, suas vantagens e desvantagens.
Como principais conclusões, o relatório de avaliação das cantinas sociais integradas no Programa de Emergência Alimentar, apresentado em 2011, refere uma distribuição territorial desequilibrada, sobredimensionamento da oferta de refeições e inexistência de mecanismos sólidos de controlo da execução física e financeira da medida.
O Programa de Emergência Alimentar constituiu, em 2011, uma rede solidária de cantinas sociais em todo o País, assegurando duas refeições diárias, de forma continuada, durante todo o ano, a todas as famílias carenciadas que se dirijam às instituições sociais.
Tendo em conta as conclusões do relatório, o grupo de trabalho que realizou o estudo considera adequado que seja definido um prazo limite para a duração desta medida, a qual foi – aliás - concebida desde o início como uma resposta a situações de emergência, e com duração limitada no tempo, até 2014.
«Perante as recomendações do relatório, e ao longo de 2016, o Governo chegou à conclusão que seria importante manter as cantinas sociais até uma resposta que as substituísse, e que fosse mais de acordo com a visão que temos, no que refere ao apoio alimentar», concluiu a Secretária de Estado.
